entornada na manhã
por mãos torpes de janeiro.
não a bebas. fecha os olhos.
é triste
mesmo quando não chora.
espera até que uma andorinha
ou um poema atravesse o quintal
e deixe cair cintilações acesas,
sílabas ardentes...
sílabas ardentes...
por enquanto não digas frio nem cardo
nem musgo nem pedra nem sombra.
não digas!
deixa que a palavra seja apenas
o refúgio sigiloso do sol que há de ser.
imagem: Joan Margarit

3 comentários:
se pedes
não direi
e deixo que a palavra seja
apenas
o que em teus versos se deseja
não tardarão as andorinhas...
Guarda a palavra para fazer luz!
Beijos, Lídia. :)
É por aí, é por aí...
(E esse jeito tão próprio de dizer as coisas...)
Um beijinho :)
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