terça-feira, 24 de maio de 2016

À hora do sol


rumo ao sol
rente ao muro
uma silva trepa a tarde

  
despertam
folíolos, três a três
em vivas colorações

não tarda nada
as framboesas virão
enrubrescer-nos o paladar

 #

Em tardes de abril
um ramo de noiva
recortado no azul
a pereira

 #


as marias
amariaram-me
os canteiros
copinhos transbordantes
de branco, silvestre
perfume

#

espiados pela hera 
os jarros desfalecem
em pálidas solidões

#

Os catos
catam-se ao sol.
ao invés dos gatos
os catos desenrolam-se.

 #



 
Os espantalhos
espantam-se com
o frenesim dos pássaros.

 o amor excêntrico
de espantalhos e pássaros
espalha-se pelas floreiras.







2 comentários:

Majo disse...

~~~
Um poema colorido e perfumado...

Simplesmente delicioso.
~~~~~~~~~~~~~~~~~

Maria Rodrigues disse...

Um passeio mágico pelo jardim da poesia.
Maravilhoso poema.
Beijinhos
MAria