terça-feira, 17 de maio de 2016

Mulheres


nesses poemas que não escrevi
moram mulheres que são casas
e não têm abrigo.


guardam os filhos no colo
deixam-nos brincar agarrados
aos braços, ao pescoço, ao tronco
mulheres que são árvores
carregadas de filhos
que alimentam com seus frutos
redondos e vermelhos.

enchem pratos de amor
quando vazios os pratos
em frente à fome dos filhos.

mulheres fortes
com a mesa sempre posta
em redor do coração.

às vezes choram.
as lágrimas tornadas pão.
sonham. sonham?
a esperança não faz barulho.


 inédito (2016/05/15)
 Imagem - сандра бирман

3 comentários:

Majo disse...

~~~
Verdadeiramente expressivo e tocante...
~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~

Rogério G.V. Pereira disse...

Sabes poeta?
gosto de mulheres assim, as do teu poema
(talvez porque conheça mal as outras)

Graça Sampaio disse...

Que maravilha!