nesses poemas que não escrevi
moram mulheres que são casas
e não têm abrigo.
guardam os filhos no colo
deixam-nos brincar agarrados
aos braços, ao pescoço, ao tronco
mulheres que são árvores
carregadas de filhos
que alimentam com seus frutos
redondos e vermelhos.
enchem pratos de amor
quando vazios os pratos
em frente à fome dos filhos.
mulheres fortes
com a mesa sempre posta
em redor do coração.
às vezes choram.
as lágrimas tornadas pão.
sonham. sonham?
a esperança não faz barulho.
inédito (2016/05/15)
Imagem - сандра бирман

3 comentários:
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Verdadeiramente expressivo e tocante...
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Sabes poeta?
gosto de mulheres assim, as do teu poema
(talvez porque conheça mal as outras)
Que maravilha!
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