rumo ao sol
rente ao muro
uma silva trepa a tarde
despertam
folíolos, três a três
em vivas colorações
não tarda nada
as framboesas virão
enrubrescer-nos o paladar
#
Em tardes de abril
um ramo de noiva
recortado no azul
a pereira
#
as marias
amariaram-me
os canteiros
copinhos transbordantes
de branco, silvestre
perfume
#
espiados pela hera
os jarros desfalecem
em pálidas solidões
#
Os catos
catam-se ao sol.
ao invés dos gatos
os catos desenrolam-se.
#
Os espantalhos
espantam-se com
o frenesim dos pássaros.
o amor excêntrico
de espantalhos e pássaros
espalha-se pelas floreiras.

2 comentários:
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Um poema colorido e perfumado...
Simplesmente delicioso.
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Um passeio mágico pelo jardim da poesia.
Maravilhoso poema.
Beijinhos
MAria
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