minha vivência é de
pássaros.
se não canto ainda
é por não ter corpo na
voz.
meu mundo amplia-se
entre o sulfato das
hidranjas
e o carmim das rosas.
se de pétalas são os dedos
é por nunca terem tocado
rochas ou fusos.
minha viagem decorre
em navios de papel
páginas e páginas
debulhadas
para apreender o sabor do
sal.
o que custa folhear tempestades
de
modo a originar uma palavra
eterna
de tudo!*
o que custa atracar em
cais
suspensos das próprias
amarras
o que custa permanecer,
ainda.
minhas mãos tingidas do
sangue alheio
minha voz contorcida à
boca
de mil morreres.
como se fossem pastoris todos os idílios
o sol continua a arder
no dorso das
searas.
*verso de “Hino
a Zeus”, Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira

1 comentário:
Escreve versos, pequena, escreve versos..., porque a tua "vivência é de pássaros", "como se fossem pastoris todos os idílios".
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