Marc Chagall, Pluie (1911)
A partir de O Último Poeta
de Paulo Morais
de olhar curvilíneo e
emblema patente
na lapela do casaco.
subiu ao palanque
e
de boca retorcida,
e
voz cavernosa parecendo vir do fundo do mar
vociferou:
fica decretado que no
Reino do (in)Sensitivo
as palavras “Sensibilidade”
e “Arte”
serão substituídas em todos
os dicionários
pelas palavras “racionalidade”
e “produção”.
todos aqueles (poetas ou
não)
que ousarem afrontar a lei,
pronunciando-as… pensando-as…
ou... sentindo-as
passarão a habitar a
ilha-degredo.
aí submetidos, a um
programa
de deseducação
aprenderão a não se iludir com flores
e outras perturbações
analógicas como:
alma,
montanha,
poema,
mar
homem
infinito
e outras inutilidades
adversas ao bem-estar…
cuspiu um “tenho dito” peremptório
sem esclarecer a quem pertencia
aquele “bem-estar” flutuante.
Lídia Borges
(21/02/2016)

1 comentário:
Gosto especialmente do «emblema na lapela»... bela ironia, Lídia!
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