segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Caótico



por estes dias temos o sol,
no ar um tom anil
tão misteriosamente
verdadeiro.
  
uma claridade morna
a passear-se na pele,
o brilho que faltava
ao entardecer do olhar.

o mundo, farto das chamas
que o destroçam por dentro,
quer apenas ser mundo 
e soletra redenção.

por isso, decreto unilateral e oficialmente
o encerramento de todos os campos de batalha,
por período indeterminado,
o desmantelamento de todos os cenários de guerra,
o silêncio de todas as armas,
o descanso de todos os soldados.

árvores, pássaros, fontes, flores
crianças, estrelas, animais…
serão as medalhas e os galardões
luzentes no peito do mundo, orgulhoso.

não importa que seja apenas o mundo
que vejo da minha janela,
[o meu mundo
que impetuosamente condenas],
mais os frutos azuis que vão crescendo
lentamente nos ramos da magnólia
que tu vês nua.

alimento-me deles,
da sua cor intensa e pura
pairando sobre os meus dedos
concentrados a tecer e a destecer
miragens que, por vezes,
se abeiram do espaço livre
defronte da minha janela
onde não estás.

1 comentário:

Graça Pires disse...

"o mundo, farto das chamas
que o destroçam por dentro,
quer apenas ser mundo
e soletra redenção."
Adiro ao teu decreto...
Muito belo, Lídia, minha Amiga.
Uma boa semana.
Um beijo.