por estes dias temos o sol,
no ar um tom anil
tão misteriosamente
verdadeiro.
uma claridade morna
a passear-se na pele,
o brilho que faltava
ao entardecer do olhar.
o mundo, farto das chamas
que o destroçam por
dentro,
quer apenas ser mundo
e soletra
redenção.
por isso, decreto
unilateral e oficialmente
o encerramento de todos os
campos de batalha,
por período indeterminado,
o desmantelamento de todos
os cenários de guerra,
o silêncio de todas as
armas,
o descanso de todos os soldados.
árvores, pássaros, fontes,
flores
crianças, estrelas, animais…
serão as medalhas e
os galardões
luzentes no peito do
mundo, orgulhoso.
não importa que seja
apenas o mundo
que vejo da minha janela,
[o meu mundo
[o meu mundo
que impetuosamente condenas],
mais os frutos azuis que
vão crescendo
lentamente nos ramos da
magnólia
que tu vês nua.
alimento-me deles,
da sua cor intensa e pura
pairando sobre os meus
dedos
concentrados a tecer e a destecer
miragens que, por
vezes,
se abeiram do espaço livre
defronte da minha janela
onde não estás.

1 comentário:
"o mundo, farto das chamas
que o destroçam por dentro,
quer apenas ser mundo
e soletra redenção."
Adiro ao teu decreto...
Muito belo, Lídia, minha Amiga.
Uma boa semana.
Um beijo.
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