domingo, 11 de dezembro de 2016

Declaração

(imagem: pesquisa Google)


a bem dizer, nada sabemos já do excesso.
as odes febris do desejo deixaram de triunfar.
já seus nervos tensos de aço afrouxaram
despedaçados em mil fiapos
pelos dentes da desilusão.
a euforia, já não um rio indomável
vaga fúria ânsia
impossibilidade de respirar
a toda a largura das sensações
indizíveis. indomáveis porque indizíveis.
os verbos minúsculos, retraídos
na extensão imensurável do visível. 

agora no coração este silêncio...
um súbito espanto de tudo o que ainda não é
o que do passado nunca foi… e o futuro cego
as persianas corridas, a sala deserta.
o silêncio...
do lado de lá desse muro, pedra a pedra construído
no inverso do humano. tortos direitos humanos.

e o sonho uma tela corrompida, penetrada
por incómodos raios de realidade.





1 comentário:

Rogério G.V. Pereira disse...

a realidade é tão grande
que não cabe numa só tela

há outra que te ilustra
a luta