quinta-feira, 27 de abril de 2017

Os poetas

(imagem s/ ind. autoria)

não têm atenções certas, os olhos.
andam sempre ocupados em cegas obscuridades.
mesmo assim, como insetos acabados de sair 
de um macio casulo de seda,
estendem as asas e põem-se a desenhar trajetos inesperados
na imaginação dos poetas. e seguem-nos.
é nesses instantes raros de desvario
que eles, os poetas, julgando-se livres, erguem taças de vinho
e de orvalho
e brindam à vida e à morte, amando-as vagamente
no vão das palavras. e em surdina
celebram com elas pactos
de impróprias eternidades. 




4 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

Os Poetas são assim
exactamente assim
mas também são
exactamente diferentes
daquilo que aqui escreveste

é que há poetas que gritam
todos os pactos celebrados

Jaime Portela disse...

Os poetas são assim mesmo.
Gostei imenso deste poema.
É excelente, parabéns.
Bom fim de semana, Lídia.
Beijo.

Fê blue bird disse...

Os verdadeiros poetas escrevem poemas assim e os que aspiram a sê-lo nem sabem o que comentar.
Obrigada!

Um beijinho e continuação de bom fim de semana

O Toque do coração


Graça Pires disse...

Belíssimo poema aos poetas, que brindam à vida e à morte com a mesma taça... "Há multidões partilhando o ágape fraterno dos seus versos"...
Uma boa semana, minha Amiga.
Um beijo.