Para melhor contextualizar esta minha publicação de hoje, deixo um excerto do que foi dito, sobre a revista literária delphica, aquando da apresentação do n.º3, no Correntes d'Escritas (26.02.2016).
«Vergílio
Alberto Vieira tinha o desejo de fazer uma revista de cultura clássica há muito
tempo mas, em 2012, “quando a Grécia foi escolhida como bombo da festa, este
desejo começou a tomar forma. A "Associação Crescente Branco", da qual faço
parte, serve de suporte à revista que contem artigos de cultura clássica mas
que pretendemos que seja contemporânea”. Vergílio Alberto Vieira comentou que
todos os artigos são ofertas literárias dos seus autores e que tiram muitas
horas de sono quer a quem pede para os elaborar como a quem acede aos pedidos.
O escritor e editor confessou ser “um criador falhado de revistas. O meu medo
era que a Delphica se ficasse pelo número 1. Uma vez que estamos a lançar o
número 3 já me considero realizado». Daqui
Bem, sendo que o número 4 já anda por aí, deve estar (está, com certeza) ainda mais "realizado" o inestimável Vergílio, que, desde há muito, me concede o privilégio da sua amizade.
Antes de deixar umas palavrinhas sobre este número 4, gostaria de lembrar que aqui no "Searas" embora muito a meu jeito, o que quer dizer, de forma superficial, (como não podia deixar de ser), plantei algumas impressões sobre os números anteriores. A saber: n.º 1 / n.º 2 / n.º3. (clicar para ler).
Ainda que a Grécia (e não só) não tivesse deixado de ser o "bombo da festa" ou por isso mesmo, a delphica continua a fazer a sua caminhada tranquila mas persistente, pelo mundo das letras, das artes sem se deixar seduzir pelos "facilitismos" habituais. Com uma imagem de capa de Armando Alves, (Pintura:1985), este número obedece à organização dos anteriores e respeita os padrões de qualidade que lhe são inerentes. Assim, somos confrontados com traduções, estudos críticos, poesia, ensaio, ficção, diário, entrevista... , trabalhos assinados por autores especializados, todos eles ligado ao meio académico o que é, desde logo, garante de conhecimento e qualidade. Numa viagem através das 220 páginas, a cultura clássica vem avivar-nos memórias e afirmar-nos que, não obstante os tempos que correm, há sempre lugares onde se pode pousar o coração e a cabeça, e crer no aperfeiçoamento dos homens, se por mais não for, seja pela Sensibilidade, pela Arte.
Embora me considere uma leitora compulsiva, no sentido em que tiro proveito de quanto me dão a ler e a ver, é na Poesia que mais fixo naturalmente a minha atenção.
Vejamos, de Armando Silva Carvalho
Escrever é uma tarefa hábil
Para fugir à vida
A cabeça descansa num trabalho
De parto irrecusável
E as mãos desenvolvem um sistema artesanal
De versos prematuros
A quem já não consegue encaminhar
As águas do silêncio
Os que chamaram sonhos
Às suas pausas pobres molhadas de palavras
E disseram que o mundo morava
Em cada respirar do texto
Sabiam que mentiam e apenas confundiam
Uma ilusão efémera
Com a solidez de uma guerra diária
[...]
(2017:p.25)
Gosto de tudo nesta revista, da lisura das páginas, do papel, da fotografia, do designer gráfico do cheiro (tem cheiro, sim) e sobretudo do quanto nos revela sobre o tanto que não sabemos, (que não sei).
Recomendo em "Correspondência / Caderno" - Cartas de Guerra António Lobo Antunes, um trabalho de Susana João Carvalho; Depois, A Poesia segundo Bataille / José Emílio-Nelson; A Ponta Acerada do Infinito / Le Spleen de Paris / José Manuel de Vasconcelos, entre outros, muitos e bons parágrafos que nos convidam a ler e a reler.

2 comentários:
Quando deste a notícia da saída
procurei sem encontrar
acho que vou voltar a procurar
motivação?
o trabalho de Susana João Carvalho
Rogério, não sei dizer nada sobre a distribuição da revista, mas é sempre possível solicitá-la para:
Crescente Branco
Associação Cultural e Recreativa
Rua Prof, Machado Vilela, 110-9.º, Sala 1
4715-045 Braga-Portugal
Obrigada.
Lídia Borges
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