sexta-feira, 9 de junho de 2017

"vanguardas"




não me interessam, do agora,
os modernos, os pós-modernos
nem sequer os futuristas 
do futurismo antigo
que nunca foi, que sempre há de ser
e enquanto não é
venham poemas para vender.

eu sou o fruto da minha raiz,
tão só aquilo que sou
é forma minha, é matriz
e por aí mesmo é que vou.

se me dizem que não é d’ hoje
poesia que não traje ganga rota
e gesto de rebeldia
a esses direi somente
que será eternamente
Verdade, a Poesia.

rebeldia em arremedos 
aos sete ventos lançada
mais produtiva não há.
são todos bons rapazes
esses rebeldes do sofá.

as “vanguardas” que venham,
com suas pomposas bandeiras
e suas bocas bem cheias
de vaidade e presunção,
descartar jardins de rosas
e luares do coração.


no que me diz respeito,
com respeito, como não?
fico na retaguarda a vê-las exultar.
tenho um verso d’água no peito
e uma rosa na mão
p’ra não me deixar levar.




(imagem:Léon François Comerre)





2 comentários:

José Carlos Brandão disse...

Sim, nós somos frutos das nossas raízes e poesia é a nossa verdade.

Um abraço.

Maria Rodrigues disse...

Melodiosa e bela poesia.
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria