domingo, 20 de agosto de 2017

Demora

(Nadir Afonso) 
«…Estou sentado nos degraus
Como alguém que parou de subir.»
Daniel Faria


em busca de um fio,
um sentido que religue tudo. jardins e sarças.
quem abastece as mãos de alocuções tão frias
por onde o alfabeto nunca antes fez caminho?
de onde vem o som cavo destas vozes sem rosto?
que vento tornará atuante o pensamento? por que se demora tanto?

quem me explica, hoje, a árvore, a água, o fogo?
esta vivência íntima
que paulatinamente se faz rebelião.






.


1 comentário:

Graça Sampaio disse...

De uma atualidade contundente... Muito bom!