[…]
Se em frente do esplendor do mundo nos alegramos com paixão, também em frente
do sofrimento do mundo nos revoltamos com paixão. Esta lógica é íntima,
interior, consequente consigo própria, necessária, fiel a si mesma. O facto de
sermos feitos de louvor e protesto testemunha a unidade da nossa consciência.[…],
(Arte Poética III. 1964. Livro Sexto.)
(Arte Poética III. 1964. Livro Sexto.)
Hoje não faltei à aula. Tive o
privilégio de ter por professora Ana Luísa Amaral numa “lição” deliciosa que durou pouco
mais de uma hora. (Pouco, como tudo o que é bom). Foi na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, localizada nos Jardins do Palácio de Cristal,
esse aprazível espaço, onde decorre a Feira do Livro do Porto. Pela voz sábia, nitidamente apaixonada pela literatura, pela poesia, que é a de Ana Luísa Amaral, a
poeta de Inversos, fui levada, (eu e quantos ali estavam para aprender), a
entrar, de novo, no universo de Sophia de Mello Breyner Andreson. Deixei-me
comover em diversos momentos. É costume. Nada de novo: uma coisa qualquer na garganta,
metade sol, metade sombra, a incomodar enquanto afaga, a afagar enquanto
incomoda, como uma febre benigna que se contrai pela Poesia e pela Poesia se
cura.
Cada poema que chegava trazia o
propósito de dar a conhecer a Sophia de Ana Luísa Amaral, conforme a mesma fez questão de revelar,
no início da sessão, deixando antever que a obra de Sophia é tão imensa, tão
intensa que possibilita um mar sem fim de leituras distintas que, no entanto, parecem confluir, todas elas, num ponto essencial - o conhecimento do ser humano, das suas
necessidades, dos seus desejos, a caminho da felicidade. Não
somos apenas animais acossados na luta pela sobrevivência, mas somos também, por
direito natural, herdeiros da liberdade e da dignidade do ser». (Arte Poética
III. 1964. Livro Sexto.)
Cada poema me era novo, outra vez,
ainda que no cérebro, a minha voz (era a minha voz, eu sei) pronunciasse,
sílaba a sílaba, os versos, uns a seguir aos outros, sem hesitações, sem
tropeçar, como passos por caminhos conhecidos.
(fotos minhas)



1 comentário:
Imagino como deve ter sido fantástico ouvir a Ana Luísa Amaral falar de Sophia... Também gostava...
Um beijo, Lídia.
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