quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Imutável



Dias há
em que não sei
o que fazer com as cores,
que conservo entre as mãos,
religiosamente.
Das mais luminosas
às mais obscuras,
inúteis, todas elas.
Dias há,
em que o mundo
é um todo cinza, compacto.
Imutável.
E só de assim ser,
de assim o ver,
alguma coisa em mim
se quebra, irremediavelmente
sem [quase] fazer ruído,

como um coração
a desbravar sozinho
os veios da noite.