Vá, não se entregue ao vento
que sopra dos primórdios de março,
como se de novembro fosse,
nem às notícias de borboletas decapitadas
Não se entregue.
Cumpra rigorosamente as
indicações
do plano de contingência
da DSP (Delegação de Serenidade
Pública)
Lave as mãos frequentemente
com margaridas, desinfete-as
com umas gotas de ternura
e deixe que se façam bolbos nas sementeiras
de amores e açucenas.
Verifique duas vezes por dia
a temperatura do
sorriso.
Não permita que desça abaixo dos 37ºC
que é a temperatura ideal para
pairar
sobre lírios e alfazemas.
Deixe cair esses mil quilos de
nuvens
e medos.
Adote uma quantidade
razoável
de preocupação [necessária],
mas nada
que chegue ao peso mínimo
de uma mágoa.
Beba água. E diga frases frescas
de amor.
Coma framboesas. Fale sozinho e brinque
com os seus pensamentos mais sisudos.
Ria de si
mesmo, sempre
que a loucura falte ao seu falar.
Ponha nos olhos
intenções de passarinhos, todos os dias.
Dispense a máscara [se puder]
e cante.
Lídia Borges
