(pintura: Vladimir Volegov)
Pastorear a paz
com a tensão espessa
de estar sempre atento,
pacífico empenho,
íntima sabedoria,
como quem compreende
os declives nos sulcos da alegria
como quem conhece a razão
porque arrefece o silêncio
até ao branco mais nítido da neve
Pastorear a paz
com a realeza que há
numa lágrima contida
nas frinchas do cansaço,
contra os ventos interiores
que às vezes se alevantam.
Lídia Borges
