É uma tentação
acolhedora
a que me tem
visitado
ultimamente:
quando as
palavras se insinuam
borbulhantes
nos bastidores
da fala,
ignoro-as
como ao gato
que reclama alimento
depois de comer.
Ficar só com a
Poesia,
a sós com a
Poesia.
Mas… instala-se,
depois,
aquele sentimento
miserável
de ter
amordaçado o Outro de mim,
em mim.
Aquele que
desconfia,
que interroga o
Belo, as comoções,
as
contradições, as alusões...
o que tem o
poder da linguagem
e intenta
continuamente
contra qualquer broto
de emudecimento.
Não digas nada.
Escuta só.
O poema tem voz
e quer falar-te.
Lídia Borges
(foto minha, tm., hoje)
