A palavra é o próprio homem. Somos feitos
de palavras.
Elas são a nossa única realidade ou, pelo menos,
o único testemunho da nossa realidade.
Otavio Paz
Deve saber o poeta
entrar no vale desejado
pela porta a nascente
aos primeiros alvores da manhã
quando as palavras enson(h)adas
se deixam cercar
como chama vã
por borboletas enfeitiçadas.
Depois é só dispô-las
por borboletas enfeitiçadas.
Depois é só dispô-las
segundo o rumo de um pensamento
ou de um devaneio ainda verde de tão novo:
uma branca, uma preta
a azul, a doirada, a violeta…
as doces, as cruas
em equilibradas misturas.
as chorosas, as risonhas
as engraçadas as leves as ditosas
as nuas.
E todas as outras
com que, afinal, o poeta se costura.
Lídia Borges
