Cingidos de ternura
são vozes presentes, os sinos,
nas folhas do freixo
embaladas pelo vento.
Que vozes outras
para nos libertarem
de uma existência mínima?
Versos somem dos dias
e estes, um a um, diluem-se
sem fala perceptível que fique.
Dias de desleixo, sem paixão,
dias onde a festa da vida definha
como nas searas
definha o sol a brisa o pão.
Dias que anoitecem
nos olhos das mulheres
continuamente despertas.
Dias que embrumam
e calam os homens,
a cismarem futuros
frente ao mar revoltoso.
Lídia Borges
(Pintura: Anne Packard)
