sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Imprudências

  




As palavras também de cansam

dos seres que são

dos mundos que habitam,

das mãos que as moldam.

 

Quando estão cansadas da aparência que têm,

e do que veem em volta delas,

são como crianças.

Fogem para a rua, transpõem umbrais

abrem-se à aragem, fazem danças de roda.


Não se defendem dos olhares,

não querem saber de tempestades.

Brincam, fazem festas de silêncios.

 

Se soubessem como

alegram quem as vê correr,

assim imprudentes

para lado nenhum.


Aparecerem e desaparecem,

como um sol entre nuvens.

E não aceitam que as chamem para casa!


Lídia Borges



 

Lídia Borges