Já viste como está brando o ar,
esta manhã?
Tudo parece inaugural e puro
como se o mundo não houvesse sido
ainda inteiramente inventado.
Sim. Há pouco, porém, caiu uma chuva levinha.
Reparo agora que há nuvens. Vêm vindo
de mansinho, como a dizer:
é tempo do azul envelhecer.
Fosse assim o entardecer:
um céu cheio de pueris brincadeiras,
o sol e as nuvens ao esconde-esconde,
uma brisa morna quase bondade, o vento,
e nós, sem vontade nem tempo
para dar tempo à maldade.
Lídia Borges
