Por vezes, basta pegar
numa palavra – laranja - por
exemplo.
Deixar que role,
que empreste à mão
a redondez e a cor do desejo.
Se lhe ferimos a casca
responde-nos
com um tentador aroma cítrico
que entontece.
Quando levada à boca, gomos de
ouro.
Torna-se logo mais brando o olhar
sobre a névoa do quintal.
Lá fora, as laranjas,
lanternas
dos jardins das Hespérides
Cá dentro, suco e sabor a saber
em redor da palavra-tema.
Por vezes, laranja
Por vezes, poema.
