quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Poetas

 

Chegam da infância

com os olhos dilatados pelos sonhos,

carregados de astros e outros assombros.

Abruptamente dão de caras

com uma gramática outra

a despedaçar flores, a perfurar os ouvidos

mergulhados em zumbidos loucos.

 


O sono das árvores no outono

vem toldar-lhes a razão como uma cortina de cinza.

E não alcançam reproduzir os sons

que os ventos lhes escreveram por dentro. 

São genuínos somente

em cada palavra que ousam inventar.


Lídia Borges

(imagem: Pinterest)