Chegam da infância
com os olhos dilatados pelos sonhos,
carregados de astros e outros assombros.
Abruptamente dão de caras
com uma gramática outra
a despedaçar flores, a perfurar os
ouvidos
mergulhados em zumbidos loucos.
O sono das árvores no outono
vem toldar-lhes a razão como uma cortina
de cinza.
E não alcançam reproduzir os sons
que os ventos lhes escreveram
por dentro.
São genuínos somente
em cada palavra que ousam inventar.
Lídia Borges
(imagem: Pinterest)
