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Posso escrever:
folhas secas
descem a tarde, lentamente,
mas tu podes, se quiseres, transformar a minha tarde,
podes trocar os
ponteiros às horas,
destronar a sequência circular das estações
podes inverter a
ordem que imponho ao caos,
o caos que
imponho às tuas incertas certezas.
Podes virar o
poema a teu favor, a todo o momento,
fazer a chuva cair nos
desertos,
o sol jorrar sobre a pedra enregelada no meu coração.
E, enquanto
escrevo a monotonia
das folhas secas que lentamente descem a tarde,
tu podes, se
quiseres, desenhar com as minhas palavras
os teus versos mais
felizes.
Lídia Borges
