A paisagem dormita
encostada à letargia dos dias.
Uma
linha estende-se ao longe no olhar
e
nem horizonte, sequer,
suporte
plano de uma caligrafia
de água e transparência
que corre ao arrepio das mãos.
Atravessa
os nevoeiros
e deixa a flutuar o intenso odor das glicínias.
Improváveis glicínias
de tão distante seu tempo solar.
Dizer
das tuas mãos sem o saber da carícia,
sem a pureza da lira tomada por sigilos divinos.
As tuas mãos vagamente vivas,
mergulhadas nas ínvias florestas
por
onde, silente e só, vagueou Orfeu.
Lídia
Borges
(imagem: pesquisa s/ind. autoria)
