terça-feira, 5 de novembro de 2024

Pelas florestas de Trácia



A paisagem dormita 

encostada à letargia dos dias.

Uma linha estende-se ao longe no olhar

 e nem horizonte, sequer,

suporte plano de uma caligrafia 

de água e transparência 

que corre ao arrepio das mãos.

Atravessa os nevoeiros

e deixa a flutuar o intenso odor das glicínias.

Improváveis glicínias

de tão distante seu tempo solar.

 

Dizer das tuas mãos sem o saber da carícia,

sem a pureza da lira tomada por sigilos divinos.

As tuas mãos vagamente vivas, 

mergulhadas nas ínvias florestas

por onde, silente e só, vagueou Orfeu.

 

Lídia Borges

(imagem: pesquisa s/ind. autoria)