homo homini lupus
Quanto mais olho
maior me parece a miséria.
O lixo já não cabe debaixo dos tapetes.
Alastra.
E embora o odor seja nauseante
não falta quem queira dar-lhe a forma de flor.
É um tempo cruel
de vidro estilhaçado.
O homem subjugado
ao dinheiro e à vaidade
carrasco e vítima de si próprio.
Perco competências, apetências
O que eu quero é uma árvore.
Uma só árvore carregada de pássaros.
E uma folha de papel
para escrever,
se a isso não puder fugir.

26 comentários:
Uma árvore carregada de pássaros que levem a mensagem, que cantem num ambiente harmonioso...
Que poema maravilhoso!
Quanta sensibilidade da autora, que rasga o verbo e expressa sentimentos de forma firme, segura, mas sem deixar o lado suave de sua alma poética!
Encantada!
Beijinhoss....
Papel?
Uma folha que eu tenha
te darei metade
(e não será por caridade...)
Uma folha de papel não chega
terás que ficar com muitas mais
para o tanto que tens ainda
para escrever. para nos deliciares...
Beijo.
Maravilhosa tua poesia, como aliás, sempre encontro aqui! um beijo,chica
O silêncio e a solidão das árvores, a sua verticalidade apontando o infinito... E a beleza das tuas palavras...
Beijo
Excelente Lidia.
Apenas... uma árvore carregada de pássaros e uma folha de papel para amparar a alma, apenas... seria perfeito.
um beijinho
cvb
É tão enriquecedor entrar neste blog e encontrar beleza tão abundante... Obrigada!
Um poema que tem a força de um tronco a rasgar a terra e a suavidade das folhas a bailarem nos ramos.
Uma dualidade de emoções que conheço e reconheço.
Um momento que toca com maior profundidade a alma humana, pela ternura das palavras.
Belo!
Um beijinho
Também quero para mim uma árvore carregada de pássaros. Arranjas-me uma?
Lídia, o teu poema é excelente. Os meus aplausos pelo talento que as tuas palavras uma vez mais revelam.
Um beijo.
uma árvore carregada de pássaros e uma filha em branco para dar asas A tua inspiração.
beij
Sempre, sempre o escrever, o não deixar nada cá dentro: Bater na parede até sangrarem os olhos...
Afinal, podemos adorar o deus euro, não podemos é esperar qualquer compensação...
é imperioso tocar nas chagas e escrever sobre elas,
beijo
Lídia,
Tenho certeza que esta folha de papel será fabricada com madeira de reflorestamento.
É tão pouco o que você pede... mas em uma cidade de concreto fica tão difícil.
Beijos!
Alcides
E queres o melhor Lídia, o mais essencial, o sítio ao qual o mundo precisa de regressar.
Beijos mil.
Branca
A força da árvore vive em ti e encherás folhas de belos poemas, com que nos encantarás!
Beijos.
Feliz de quem pode extravasar sentimentos, mágoas, incertezas, numa folha de papel... Feliz de quem tem o privilégio de poder ler essa folha...
Obrigada, Lídia...
Beijos e um bom dia para você.
... e assim acontece a poesia
na simplicidade
que faz pensar
Bj
O desencanto em que vivemos hoje...talvez uma árvore com pássaros nos devolvesse a felicidade.
Beijo
Graça
Eu quero um pouco mais, quero ser árvore! passei por aqui e gostei dos seus poemas, se quiser ler um pouco do que eu escrevo o link está aqui:http://wglacerda.blogspot.com/
Prazer, até mais :D
Não se consegue fugir da escrita, ainda mais em tempos como o descrito...
Adorei, bjos.
Vêm aí mudanças enormes, algumas devastadoras. Mas - esforço-me para acreditar nisto - haverá sempre espaço para uma árvore carregada de pássaros.
Beijo :)
Talvez não seja o fugir do "lobo", talvez seja apenas o que vê; e a árvore será o nascer da Vida e a folha de papel o renascer da Arte.
Que não lhe faltem nunca árvores carregadas de pássaros nem folhas de papel para continuar a escrever assim!
Beijinho.
É verdade que por vezes quando olhamos não conseguimos deixar de nos sentir tristes... mas ainda bem pelas árvores, pelos pássaros, pela tinta e pelas folhas de papel...! e pelos poetas!
Obrigada pela visita, Lídia!
Através do blogue "Vá Andando" cheguei aqui. E aqui fico meste maravilhoso poema onde me revejo.
Obrigada.
Helena Figueiredo
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