quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Fiama - "A um Poema"

                                                                                               Pintura:John Gwen

A meio deste inverno começaram
a cair folhas demais. Um excessivo
tom amarelado nas imagens.
Quando falei em imagem
ia falar de solo. Evitei o
imediato, a palavra mais cromática.

O desfolhar habitual das memórias é
agora mais geral e também mais súbito.
Mas falaria de árvores, de plátanos,
com relativa evidência. Maior
ou menor distância, ou chamar-lhe-ei
rigor evocativo, em nada diminui

sequer no poema a emoção abrupta.
Tão perturbada com a intensa mancha
colorida. Umas passadas hesitantes,
entre formas vulgares e tão diferentes.
A descrição distante. Sobretudo esta
alheada distância em relação a um Poema. 


Fiama Hasse Pais Brandão, in "Nova Natureza" 
 

18 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

"O desfolhar habitual das memórias é
agora mais geral e também mais súbito."

Quando outros poemas
nos ressoam como palavras nossas...

:)

(há muito que não lia nada de Fiama, obrigado)

Moisés de Carvalho disse...

Para ler e reler(pela sutileza)
e em seguida guardá-lo na memória.

Um beijo!

Unknown disse...

a um poema, e tanto



beijo

Lilá(s) disse...

Quanta sensibilidade e beleza!
Bjs

Politikus disse...

Um belo desfolhar de palavras...

ponto e virgula disse...

confesso... não conhecia a poetisa, mas o seu poema denuncia a sua relação com a poesia... e a tua!!!

"O desfolhar habitual das memórias..."

uma constante nos dias de hoje!


a...té

Jorge Pimenta disse...

do tanto das nossas estações que se desprende dos braços em cada bola de neve, pingo de gelo, navalha de frio e lança de vento dos nossos invernos.
tons amarelo-escuro, estes, com que pintamos a melancolia.
poema incrivelmente belo!

beijinho!

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

um poema bem escolhido.

a imagem apropriada.

um bom fim de semana.

Um beij

Maria Alice Cerqueira disse...

Boa noite amiga,
Vim lhe desejar um bom Carnaval, coberto de muita paz e alegria.
abraço amigo
Maria alice

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Nostálgicas memórias...adoro a poesia dela.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Manuel Veiga disse...

uma grande Poetisa.

excelente escolha. o poema é muito belo.

beijo

Joaquim do Carmo disse...

"Alheada distância", assim parece... mas não será, não: em cada estrofe, a aparente hesitação no discurso mais não revelará, ao contrário, que uma profunda interacção com a natureza!
Beijinho
Quicas

BlueShell disse...

Gostei de ler...
Grata por trazeres até nós.
Um excelente domingo.
BS

Anónimo disse...

Gosto de poemas que vão se mostrando aos poucos.Muito interessante esse.

Beijos.

A Palavra Mágica disse...

Falar do poema no poema é tão complicado quanto falar de amor. Tem que sentir.

Beijos!
Alcides

Maria Rodrigues disse...

O desenrolar da natureza, o desenrolar da vida. Lindo poema.
Boa semana
Beijinhos
Maria

Nilson Barcelli disse...

Excelente escolha poética.
Beijo, querida amiga

PS: a verificação de palavras é um quebra-cabeças...

Evanir disse...

Ter vc comigo é maravilhoso!
Obrigada pelo carinho e sua amizade .
Fico tremendamente feliz em receber sua visita no meu blog.
Todas as palavras deixadas me da uma força infinita
e vontade de lutar sempre.
Cada amigo (A) é uma preciosidade .
Cada pessoa é diferente uma da outra
cada amigo é uma bençao.
Ser amigo não é coisa de um dia.
São gestos, palavras,
sentimentos que se solidificam no tempo
e não se apagam jamais.
Uma beijo carinhoso paz e luz.
Evanir...
Lindo poema para ler e trazer no nosso coração.