terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Poesia


39.

Queixa-se o poeta
da escassez de estorninhos
em seus versos feios.
Basta-me a mim uma pena
para encher de ninhos
os braços despidos
de meus versos verdes.

Não darão estorninhos
tão aéreos ninhos?
De onde então os trinados
que se inscrevem, nítidos,
na súbita vibração da aragem?


Lídia Borges (2019:p. 54), Garças, Poética Edições






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