Agora é o silêncio,
aberto, amplo, habitável.
Coberta estendida,
quase linho, quase leito
sob um corpo dormente.
E o vale em silêncio
a casa em silêncio
o quarto em silêncio
a razão em silêncio
o coração em silêncio.
É labor a dor calada?
Há uma raiz
no interior de tudo isto,
uma atenção que se origina
átomo puro, filamento ou
ângulo à beira de ser árvore.
É então possível decifrar,
num emaranhado de folhas,
o amor, o medo, a dúvida,
a nuvem, numa oração única
murmurada timidamente
nas sílabas aquosas de um adeus.
