Há
flores sem perfume nenhum, eu sei!
Gosto
de deixar cair sobre essas,
uma
ou duas gotinhas de orvalho
para
lhes amaciar a secura.
Hoje
voltaram a dizer-me que ainda não aprendi a dizer Não. “Lamentavelmente”. Desta vez, depois de tantas que não saberia
contá-las, convoquei uma reunião de urgência com os meus botões e tomei uma decisão definitiva. Decidi que não, que não quero aprender a dizer Não.
Com tanta gente que o faz tão bem, a torto e a direito; que o tem na ponta da língua, sempre pronto a ser utilizado; tanta gente que o sabe de cor, que o usa, habilmente em favor do seu umbigo, sempre certeiro e peremptório, gente que não é parva nem quer ser - não, não, que eu não sou parvo! Era o que faltava. Romantismo sim, mas
devagar. Depois disso tudo, decidi-me pelo Sim. Talvez assim, o mundo, carregado de nãos, se anime com o meu Sim e fique até um pouco menos egoísta, um
pouco mais verdadeiro e solidário. E se não ficar, por mim, continuarei a ser “parva e romântica” até ao fim. Sim, fico com o Sim. Acredito numa certa "parvoíce" e num certo "romantismo" capazes de acordar o sorriso num
ou noutro rosto esquecido de sorrir.
Guardarei
de reserva meia mãozinha de “nãos”, pelo sim pelo não. Não estou livre de precisar de um ou outro,
aqui ou ali, pontualmente para fazer vingar o Sim.
