Depois exasperados
que sejamos água
nos baldios de suas mãos
secas,
que demos vida aos seus
abismos estéreis,
que lhes amemos a falta
de amor,
a fúria das palavras, o
cheiro a enxofre, a álcool...
vêm, trémulos,
pedir-nos que os levemos
aos quintais da infância
onde uma luz branda
lhes guarda as raízes
mais profundas das ilusões.
Perdidas.
Vêm pedir-nos que
digamos por eles rosa e pássaro
e quanto já não encontra chão em suas vozes
escassas.
Lídia Borges
Imagem: Gabriele C.
