sábado, 12 de outubro de 2019

E o Belo? (2)





Depois exasperados
vêm pedir-nos, a nós que nada sabemos,
que sejamos água  
nos baldios de suas mãos secas,
que demos vida aos seus abismos estéreis,
que lhes amemos a falta de amor,
a fúria das palavras, o cheiro a enxofre, a álcool...

vêm, trémulos, pedir-nos que os levemos
aos quintais da infância onde uma luz branda
lhes guarda as raízes mais profundas das ilusões.
Perdidas.
Vêm pedir-nos que digamos por eles rosa e pássaro
e quanto já não encontra chão em suas vozes 
escassas. 

Lídia Borges


Imagem: Gabriele C.