Um dia disseste-me:
às vezes penso
que és o
meu anjo
e eu respondi que tu…
tu sim, eras o meu anjo.
Ambos rimos, cúmplices,
pois nem eu nem tu
acreditávamos em anjos,
apenas na sua irrefutável
perfeição.
O certo é que, naquele tempo,
a meus olhos, tu eras
a perfeição.
E eu, perto de ti, era
seguramente
menos imperfeita.
Foi assim que passámos a acreditar
em anjos...
até ao dia em que
desistimos de voar.
Foi assim que passámos a acreditar
em anjos...
até ao dia em que
desistimos de voar.
Lídia Borges, (2009)
(Leszec Sokol, imagem)
(Leszec Sokol, imagem)
