quinta-feira, 11 de junho de 2020

Constatações (1)




Quand on n'a que l'amour
Pour meubler de merveilles
Et couvrir de soleil
La laideur des faubourgs


Jacques Brel



Para amar a alegria
bastaria um só verbo
de entoar marés. Outras.
Todavia, logo o poema,
como espuma, sumiria
no encontro com a praia.

A alegria
essa água rara de rosas,
enzima alienante dos dias...
ou talvez, 
ante a braveza dos dias, 
um jeito torto de ser.

Na luzência da palavra
adensa-se pluviosa a velha
melancolia,

ao som de Brel. 
Desconcertante.


Lídia Borges



(imagem-Duy Huynh)