Cada vez mais,
mais demorado o mergulho
ao centro do universo da fala
subaquática,
mais profundas as águas
mais intensos os brilhos
de excessivas florestas
perenes de claridade.
Cada vez mais inteligível o
respirar
no irrespirável
destes alfabetos submersos.
Cada vez mais distante o retorno,
mais e mais longo o efeito do feitiço.
A demora nem cerco nem espera.
São como bailarinos os versos,
harmoniosos, sem ensaios nem
enredos.
Graciosos adágios,
cabrioles, chainés, Changements
e, quanto atingida a forma
plena,
admirá-los apenas. Sobre
tudo, amá-los.
Desvenerada a rede, o arpão,
a caça, a caneta e seus inábeis
modos
de imobilizar em poemas
o que é vivo e pulsa e move-se
e cintila.
Lídia Borges
