Como um pranto, um uivo
a campainha vem roubar-te ao
silêncio
de um outono sem colheitas para fazer.
O carteiro entrega-te o aviso
para liquidação do ISBE,
[Imposto Sobre Banalidades (d)Escritas].
Tem vindo a subir
vertiginosamente
nos últimos tempos o ISBE. Há que
pagar
pelo desplante de espalhar
papoilas
em searas ceifadas.
A culpa é dessa voz assombrada
que, de longe, te chama
a pedir existência em pedaços de papel
como se a vida fosse a letra sempre renovada
de uma canção. Imperecível.
Lídia Borges
