Eu sei que sim,
que existem poetas à altura dos tempos que correm.
Grandes, sábios, atentos,
capazes de fazer correr à
superfície dos versos
os destroços do tempo em
ruínas.
E deixam, à vista de todos, os ossos rapados
do esqueleto em que se tornou a maravilha
do humano.
Eu sei que sim, mas…
que coisa é esta que sinto
à saída de um poema
tão autêntico tão verdadeiro
tão real?
A credulidade tão-só
a dor de uma queda vertiginosa
pela encosta escarpada do Sonho?
Comparável, apenas, ao absoluto
vazio
de um coração abandonado pela Poesia.
Fica esta espécie de extermínio
do Sol,
a morte sobre a nobreza dos gestos,
na conquista do Pão, e da Paz, do Amor...
Cantam-se antes os labirintos
escuros e bafientos da noite,
o deslumbrado orgulho de uns,
[poucos, altos, fortes, bonitos]
pela conquista do Outro,
sempre pronto a ajoelhar perante a perfídia dos novos deuses.
Lídia Borges
Voltando às flores…
que elas continuam aí, para quem as quiser ver: a brotar, a crescer, a lembrar ao mundo o seu colorido inimitável. A lembrar que a beleza (também) está nos olhos de quem olha.
Doentes de ver?
Lídia Borges
