terça-feira, 13 de outubro de 2020

Voltando às flores…



Eu sei que sim,

que existem poetas à altura dos tempos que correm.

Grandes, sábios, atentos,

capazes de fazer correr à superfície dos versos

os destroços do tempo em ruínas.

E deixam, à vista de todos, os ossos rapados

do esqueleto em que se tornou a maravilha 

do humano.

 

Eu sei que sim, mas…

que coisa é esta que sinto

à saída de um poema

tão autêntico tão verdadeiro tão real?

A credulidade tão-só

a dor de uma queda vertiginosa

pela encosta escarpada do Sonho?

 

Que coisa é esta?

Comparável, apenas, ao absoluto vazio

de um coração abandonado pela Poesia.

Fica esta espécie de extermínio do Sol,

a morte sobre a nobreza dos gestos, 

na conquista do Pão, e da Paz, do Amor...

Cantam-se antes os labirintos escuros e bafientos da noite,

o deslumbrado orgulho de uns, [poucos, altos, fortes, bonitos]

pela conquista do Outro,

sempre pronto a ajoelhar perante a perfídia dos novos deuses.

Lídia Borges

 



Voltando às flores…

que elas continuam aí, para quem as quiser ver: a brotar, a crescer, a lembrar ao mundo o seu colorido inimitável. A lembrar que a beleza (também) está nos olhos de quem olha. 

Doentes de ver?







Lídia Borges