(Anne Packard)
Tarde se vislumbra
a penumbra
de não haver caminho
outro
se não o que
sempre se quis ignorar.
A vida é um
contínuo devir
um nunca alcançar
e o tempo um
comboio
que estamos
sempre a perder
e a apanhar,
não no trilho
do nosso desejo
mas no único
onde é inevitável chegar.
Penso... [penso?]
que
andar pela vida
é tão-só inventar nos sentidos
um sentido para
os passos
de muitos e nenhum sentido.
E nessa invenção,
vivo… vivo.
Lídia Borges
