quarta-feira, 27 de abril de 2022

Horizonte

(Anne Packard)


Tarde se vislumbra  

a penumbra

de não haver caminho outro

se não o que

sempre se quis ignorar.

 

A vida é um contínuo devir

um nunca alcançar

e o tempo um comboio

que estamos sempre a perder

e a apanhar,

 

não no trilho do nosso desejo

mas no único 

onde é inevitável chegar.

 

Penso... [penso?] que

andar pela vida

é tão-só inventar nos sentidos

um sentido para os passos

de muitos e nenhum sentido.

 

E nessa invenção, vivo… vivo.


Lídia Borges