Ando
por aqui, devagar.
Lá
fora está um calorzinho verde
assim como se o verão,
ainda envergonhado,
viesse sondar o lugar onde ser tempo.
Pouso
num verso, ao acaso,
como
um louva-a-deus numa pontinha de sol.
Estou
irritada ou é só dormência
a
esta hora da sesta, sem sesta?
Paro
atenta.
O
quadriculado das palavras cruzadas
que
não terminei regressa, obstinado.
“Antas”
– cinco letras: primeiro o “o”
A última
o “s” evidentemente,
A terceira,
“c”
“Orcas”
Desisto.
O
nome desfigura as coisas.
Ando
por aqui tão desatenta
que era capaz de criar um mundo outro
para poder cismar livremente
sem a sobranceria
desses quadradinhos em cruz
que se atropelam.
(itálico – Teixeira de Pascoaes)
(imagem: Anne Packard)
