Aconteceu ontem, à noite, em Braga, na Unidade do Largo do Paço da Universidade do Minho, a abertura ao público de uma exposição documental dedicada a Maria Ondina Braga - Eu Vim para Ver a Terra, um olhar nómada - com a curadoria artística de Duarte Belo e curadoria científica de Isabel Cristina Mateus. Em simultâneo foi lançado o I de sete Volumes das Obras Completas de Maria Ondina Braga, editado pela Imprensa Nacional - Casa da Moeda. A iniciativa decorre no âmbito das comemorações do centenário da escritora, natural de Braga, cujo percurso de vida a leva em vagabundagens pelo mundo, para usar uma expressão sua. Estas “vagabundagens”, deram-lhe a possibilidade de conhecer por dentro outros universos, outras gentes, outras culturas que a autora transporta para a escrita, dando-lhe um colorido muito próprio. Na brochura que acompanha a exposição pode ler-se, a dada altura: “O seu perfil multicultural é único no panorama da literatura em língua portuguesa do séc. XX.” O apelo da viagem, o interesse pelo desconhecido, pelo oculto, a sua abertura ao Outro, a busca de si própria, os mapas de afetos que nunca a deixam esquecer a sua cidade são marcas indeléveis da obra desta escritora, agora reeditada.
Estive lá, sim! Nutro um carinho muito
especial por Ondina e não só por partilhar com ela o chão de nascimento ou por conhecer razoavelmente a sua obra, mas porque a conheci, nos seus últimos anos
de vida, e guardo dela a imagem de alguém que, não obstante o enorme capital
vivencial, cultural, humano e afetivo acumulado, não se distanciou, em momento algum, de uma comovente simplicidade.
Se de lá, do lugar onde está, lhe for dada a graça de ver e ouvir os que cá ficaram, decerto sentir-se-á muito constrangida, talvez até incomodada por estar a ser alvo de tanta atenção. Que tenha paciência. Merece-a por inteiro.
Lídia Borges
