sexta-feira, 24 de junho de 2022

QUIETUDE - Miguel Torga

 


Que poema de paz agora me apetece!

Sereno,

Transparente,

A sugerir somente

Um rio já cansado de correr,

Um doce entardecer,

Um fim de sementeira.

Versos como cordeiros a pastar,

Sem o meu nome, em baixo, a recordar

Os outros que cantei a vida inteira.

 

 

Miguel Torga, "Diário XIII"