terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Pelo menos


  

Neste tempo velho

a morte anda tão por perto

que a pressinto até nos sonhos.

Os sonhos são o nosso finca-pé

à realidade, 

a nossa mais ousada teimosia. 


Nos sonhos é possível percorrer

searas de maduro pão

ladeadas de papoilas que crescem

no sentido inverso da finitude.

 

Não é admissível que a morte

atravesse, difusa e fria, os sonhos

ensombrando-os.

[Pelo menos nos sonhos,

a morte deveria estar morta.]

 

Por isso, quando esta noite sonhei contigo,

Não entendi por que permanecias quieto,

silencioso e só,

enquanto eu te acenava.

[Pelo menos nos sonhos

Tu deverias estar vivo.] 

Pelo menos, nos sonhos.


Lídia Borges

(imagem: pinterest, s/ ind. autoria)