Neste tempo
velho
a morte anda
tão por perto
que a pressinto
até nos sonhos.
Os sonhos são o
nosso finca-pé
à realidade,
a nossa mais ousada teimosia.
Nos sonhos é
possível percorrer
searas de
maduro pão
ladeadas de
papoilas que crescem
no sentido
inverso da finitude.
Não é admissível que a morte
atravesse, difusa e fria, os sonhos
ensombrando-os.
[Pelo menos nos
sonhos,
a morte deveria estar morta.]
Por isso, quando
esta noite sonhei contigo,
Não entendi por
que permanecias quieto,
silencioso e só,
enquanto eu te
acenava.
[Pelo menos nos
sonhos
Tu deverias estar
vivo.]
Pelo menos, nos sonhos.
Lídia Borges
(imagem: pinterest, s/ ind. autoria)
