sábado, 15 de fevereiro de 2025

O tempo e o verso

 



Reservei uma folha em branco

no meu arquivo entre os últimos escritos.

Ali, há de nascer um poema

liberto das amarras da estética

do aveludado das florestas e do azul dos mares

entre os lábios do poeta,

 

Ali há de nascer um poema

onde os pés sintam 

verdadeiramente a trama dos solos

e tropeçar numa pedra concreta, estirar-se no chão

esfacelar as mãos o rosto o coração,

banais figuras de construção.

 

Um poema em que o canto de uma metáfora

haverá de ser tão-só o eco revisitado

de um verso que o tempo arrasou.


E as flores?!

A tradução textual

dos mais íntegros olhares sobre o mundo.


Lídia Borges

(imagem: pinterest)