Reservei uma folha em branco
no meu arquivo entre os últimos escritos.
Ali, há de nascer um poema
liberto das amarras da estética
do aveludado das florestas e do azul dos mares
entre os lábios
do poeta,
Ali há de nascer um poema
onde os pés sintam
verdadeiramente a trama dos solos
e tropeçar numa pedra
concreta, estirar-se no chão
esfacelar as mãos o rosto o coração,
banais figuras de construção.
Um poema em que o
canto de uma metáfora
haverá de ser tão-só
o eco revisitado
de um verso que
o tempo arrasou.
E as flores?!
A tradução textual
dos mais íntegros olhares sobre o mundo.
Lídia Borges
(imagem: pinterest)
