O desejo…
pois claro… o desejo podia
dizer-se
- aniquilação do silêncio
–
E a partir daí alcançava-se
outra dimensão,
outra visão do instante
em que o instante, sem
que se soubesse,
dissesse de si, fábula eminentemente
feliz.
E, dentro dela, bandos
de crianças pairassem
de cor em cor, de flor
em flor
de árvore em árvore
no brilho das folhas
baloiçando
entre o sol e a sombra.
Sol ternura, só
sombra, frescura,
apenas.
Porém, o silêncio, está
carregado
de palavras anteriores.
Viciou-se no vício da devastação
e das naftalinas
e a fábula é, a cada momento,
o retorno às ruínas.
Pouco a pouco
a embriaguez libertadora
do poema
retoma o pé
e… afunda-se.
Lídia Borges (inédito)
Pintura: s/ ind. autoria (Pinterest)
