sábado, 21 de junho de 2025

Poema

 


No sossego das folhas e da sombra

encontro um pensamento inesperado

de ti.

E, como se fosse de nuvens forrado,

o céu desse pensamento,

faço chover.

 

Faço chover palavras

em linhas oblíquas,

contínuas e oblíquas,

demasiado curtas e oblíquas

para tocarem o chão.

Subitamente, à proximidade da matéria,

não mais que éter, fluído cósmico

luzência fátua que é toda sonho.

 

A terra, debaixo dos pés, estremece inteira,

julgando água ilimitada,

para suas ressequidas sedes,

o verbo.

 

O poema… torvelinho de nadas

encolhe-se,

pássaro suspenso na vasta erosão da voz.


Lídia Borges (inédito)