No sossego das folhas e da sombra
encontro um pensamento inesperado
de ti.
E, como se fosse de nuvens forrado,
o céu desse pensamento,
faço chover.
Faço chover palavras
em linhas oblíquas,
contínuas e oblíquas,
demasiado curtas e oblíquas
para tocarem o chão.
Subitamente, à proximidade da matéria,
não mais que éter, fluído cósmico
luzência fátua que é toda sonho.
A terra, debaixo dos pés, estremece
inteira,
julgando água ilimitada,
para suas ressequidas sedes,
o verbo.
O poema… torvelinho de nadas
encolhe-se,
pássaro suspenso na vasta erosão da voz.
Lídia Borges (inédito)
