quarta-feira, 16 de julho de 2025

Conflitos


O dia desce maduro até ao mar.

Colho a serenidade nos livros, outros céus

onde as estrelas

se reúnem para preparar

a paz da noite.

 

Já não há estrelas como as da minha infância – dizes.

Há luzes artificiais que sibilam nos céus de hoje

precedendo o estrondo que a morte faz ao cair.

 

Nada fica de pé,

escombros e poeiras onde antes brincavam crianças.

E no meu peito,

agora que o dia acabou, a quietude

é uma estrela vacilante que vive

num livro só meu onde constam

mil e um tratados de paz ao alcance das mãos.

 

Literatura desprovida de vida.


Lídia Borges, in Desarrumos