Não é fácil
dizer seja o que for
diante do mar,
se é verão.
Acorre ao sul, excesso e lume,
o sol que falta na alma,
no coração,
nas análises clínicas.
E todas as coisas em redor cintilam
serenamente, sem peso, sem crueldade
e amo sobre a pele esse sopro de vida,
esse azul da luz saturado de água.
Puríssimo.
Fecho os olhos com receio de cegar.
Para a minha solidão
eu queria um azul como este,
assim secreto,
subindo, lentíssimo,
ao lugar mais ermo do poema
onde a palavra se resguarda.
Lídia Borges, 08/08/2017)
