terça-feira, 9 de setembro de 2025

(Do) Lima

 



A vegetação ribeirinha carrega sombras de renda ainda, omitindo o fim do verão que se aproxima a passos rápidos. Pacifica e silente, a atmosfera que me rodeia influencia meus trilhos interiores e deixo-me embriagar pela luz bucólica e dócil que atravessa a folhagem de salgueiros, freixos, lúpulos, loureiros…

Impossível, aqui, neste Minho de verdes sem fim, nestas margens de poetas, de beleza natural estonteante, de parzinhos enamorados, não me ascender à memória o poeta do Lima, Diogo Bernardes, o lirismo renascentista a que não foi  Alheio: Que vistes meus olhos / Neste bem, que vistes / Que vos vejo tristes?







Tenho pena de não ter eu, hoje, um rio só para mim que me inspirasse uns versos de pendor petrarquista para exaltar a nostalgia e a saudade do que não foi e se banhassem, uma e outra, sem maneirismos, naquela água, além, de onde precisamente neste instante se levanta esvoaçante um bando de patos selvagens. 



Lídia Borges


(fotos minhas, telemóvel)