A vegetação ribeirinha
carrega sombras de renda ainda, omitindo o fim do verão que se aproxima a passos
rápidos. Pacifica e silente, a atmosfera que me rodeia influencia meus trilhos
interiores e deixo-me embriagar pela luz bucólica e dócil que atravessa a
folhagem de salgueiros, freixos, lúpulos, loureiros…
Impossível,
aqui, neste Minho de verdes sem fim, nestas margens de poetas, de beleza
natural estonteante, de parzinhos enamorados, não me ascender à memória o poeta do Lima, Diogo
Bernardes, o lirismo renascentista a que não foi Alheio: Que vistes meus olhos / Neste
bem, que vistes / Que vos vejo tristes?
Tenho pena de não ter eu, hoje, um rio só para mim que me inspirasse uns versos de pendor petrarquista para exaltar a nostalgia e a saudade do que não foi e se banhassem, uma e outra, sem maneirismos, naquela água, além, de onde precisamente neste instante se levanta esvoaçante um bando de patos selvagens.
Lídia Borges
(fotos minhas, telemóvel)

