Palavras para
dizer? Sim,
porém que as pastoreiem
outros:
os sóbrios, os cínicos, os sábios
os crentes, os leigos…
Eu quero somente
palavras de ar,
palavras que
respirem pela pele da emoção,
palavras que
nenhum silêncio emudece
que são existência de existir e não de dizer.
Não dizem.
Flutuam, ora sombra ora claridade, flutuam
trazendo ao olhar mil pedaços de espanto.
Dizer o quê se indizível
a suavidade de um dia
de lírios (de
que céu caídos?)
se indizível a lágrima a desabar numa noite
atulhada de mortos
algures numa terra qualquer, junto ao coração.
De uma palavra
a outra, um imenso espaço vazio,
hiato onde toda a expressão se despenha.
Não lhe ouves o grito na vala do poema?
Lídia Borges
