sábado, 4 de outubro de 2025

Palavras para dizer? Sim.

 



Palavras para dizer? Sim,

porém que as pastoreiem outros:

os sóbrios, os cínicos, os sábios

os crentes, os leigos…

Eu quero somente palavras de ar,

palavras que respirem pela pele da emoção,

palavras que nenhum silêncio emudece

que são existência de existir e não de dizer. 

Não dizem. 

Flutuam, ora sombra ora claridade, flutuam

trazendo ao olhar mil pedaços de espanto.

 

Dizer o quê se indizível a suavidade de um dia

de lírios (de que céu caídos?)

se indizível a lágrima a desabar numa noite

atulhada de mortos 

algures numa terra qualquer, junto ao coração.

 

De uma palavra a outra, um imenso espaço vazio,

hiato onde toda a expressão se despenha.

Não lhe ouves o grito na vala do poema?

 

Lídia Borges